A poluição atmosférica é um tema urgente

Atualizado: 13 de fev.

Poluição Atmosférica: 4 motivos urgentes para discutirmos


Entenda o impacto negativo que é causado pela poluição atmosférica. Neste artigo, você vai descobrir os 4 principais aspectos da poluição do ar que a tornam o principal tema de atenção ambiental à saúde, segundo órgãos internacionais como a Organização das Nações Unidas, perdendo atualmente apenas para a Covid-19.


No ritmo frenético que crescem cidades em países como China e Índia, atualmente, previsões catastróficas se tornam cada dia mais realistas. Especialmente, no que tange a poluição atmosférica e suas consequências.

Por isso, seriados como "The 100", que relatam o nosso possível futuro poluído, ganham tamanha audiência e visibilidade. Contudo, a questão da qualidade do ar é pouco discutida ainda na sociedade, seja por falta de conhecimento ou por conflitos de interesse entre atores sociais.


Diante disso, como forma de compartilhar conhecimento de qualidade acerca desse tema, preparamos uma lista com 4 motivos que tornam a discussão sobre a qualidade do ar urgente:


1. Ela causa impacto especialmente na saúde dos fetos, bebês, crianças e idosos



Em primeiro lugar, os dois grupos mais afetados pela baixa qualidade do ar são as crianças e os idosos. Ou seja, todos estamos sujeitos aos impactos da poluição atmosférica em alguma fase da vida.


Entretanto, os estudos mais atuais indicam que, no caso da população infantil, as consequências na saúde podem ser permanentes. Assim, a poluição pode prejudicar o desenvolvimento do bebê e predispô-lo a complicações na vida adulta, como doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, obesidade, diabetes e câncer. Até mesmo os fetos sofrem consequências, como a prematuridade, o baixo peso e a mortalidade.


No que diz respeito às crianças, a má qualidade do ar pode causar otite média, doenças hematológicas, doenças respiratórias em geral, doenças metabólicas, doenças neurológicas, doenças reumatológicas e doenças na pele.


Já em relação à saúde dos idosos, os principais impactos no bem-estar desse grupo mediante a exposição de ar contaminado são:


  1. As doenças cardiovasculares (como o infarto do coração e derrame cerebral)

  2. As Doenças Respiratórias Crônicas (DRC): aquelas que atingem as vias aéreas superiores e inferiores. Entre elas a rinite alérgica, a pneumonia e as Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOC) como a bronquite e a asma. As DRCs em idosos representam um grande percentual das causas de internações e mortalidade.

2. Por causa da poluição atmosférica, os efeitos das mudanças climáticas são acelerados



O termo Mudanças Climáticas refere-se a transformações de médio e longo prazo nos padrões de temperatura e clima. Algumas delas são, respectivamente, períodos de seca e migrações em massa. A poluição atmosférica tem interferência direta no avanço dessas transformações uma vez que alguns poluentes contribuem para as alterações do clima.

Sabe-se que esses poluentes em comum são conhecidos como poluentes climáticos de vida curta (PCVC), pois duram pouco tempo na atmosfera, entre alguns dias a no máximo uma década. Os principais deles são o carbono negro, os antecessores do ozônio troposférico (como monóxido de carbono e os COV) e os hidrocarbonetos.

A respeito das emissões de outros poluentes climáticos, a comunidade científica reconhece que o dióxido de carbono pode permanecer na atmosfera por centenas ou, até mesmo, milhares de anos. Esse gás faz parte dos chamados gases de efeito estufa, que estão associados à manutenção natural do clima na Terra. Porém, o seu excesso na atmosfera interfere no equilíbrio essencial atingido ao longo de milhões de anos de evolução planetária.

Os efeitos desse desequilíbrio na atmosfera, já podem ser vistos em diversas partes do mundo, como:

  1. Aumento do nível do mar e inundações, por conta do degelo das geleiras ocasionado pelo aumento da temperatura média do planeta;

  2. Diminuição da produção de alimentos, devido às alterações climáticas;

  3. Extinção de diversas espécies de animais e muitos outros.

3. A poluição atmosférica tem alto custo econômico em diversas áreas



Em terceiro lugar, existem custos que referem-se, por exemplo, às mortes e internações resultantes da exposição ao ar poluído. Essas questões têm impacto no sistema de saúde e no mercado de trabalho.


Segundo um estudo científico que apresentou o valor da morte prematura decorrente da poluição no Brasil, Roy e Braathen estimam que cerca de 3,3% do PIB brasileiro em 2015 foi direcionado para sanar essas perdas.


Outro estudo, de Sant'anna e Rocha, calculou que as queimadas e desmatamentos (fatores associados à poluição do ar) demandaram cerca de US$ 1,5 milhão do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso é equivalente a 2 mil internações hospitalares.


É interessante pontuar, nesse caso, o impacto positivo da implementação do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores. Essa ação foi direcionada para a frota de veículos pesados para a saúde pública e analisada nessa pesquisa do Instituto de Saúde e Sustentabilidade e do Instituto Clima e Sociedade. Segundo o documento, observam-se 148.048 mortes evitadas ou vidas salvas devido à implementação das medidas e uma economia em gastos públicos (Sistema Único de Saúde) e privados (Sistema de Saúde Suplementar) de R$539 mi(milhões) (ou US$1,8 bi), contabilizados entre os anos de 2023 a 2050.


4. É o maior risco ambiental para a saúde


Enfim, a poluição do ar configura hoje em dia como o maior perigo ambiental para a vida humana, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Somado a isso, outro dado impressionante: segundo a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) 51 mil pessoas morreram em 2018 no Brasil, devido ao contato com poluentes no ar.


Dentre os perigos ambientais para a saúde humana, a poluição do ar ultrapassa a mortalidade por doenças causadas pela água insalubre e transmitidas por vetores. Ademais, a poluição atmosférica está em terceiro lugar entre os três maiores fatores modificáveis de mortalidade, perdendo apenas para tabagismo e risco alimentar. Abaixo um quadro ilustrando a situação.



Conclusão


Diante das urgências apontadas, percebe-se que a poluição atmosférica atinge os mais diversos campos, sendo os principais: a saúde de crianças e idosos, o meio ambiente, a economia e a manutenção da vida humana na Terra.


Dessa forma, é necessário que esse assunto torne-se cada vez mais discutido e estudado, tanto pelos responsáveis pelas políticas públicas, como pela própria sociedade civil. A população é capaz de se mobilizar para cobrar dos órgãos responsáveis, por exemplo, medidas de monitoramento atmosférico e a criação de uma política nacional sistêmica de qualidade do ar garantida por lei.


Por fim, é importante compreender que esse é um dos grandes desafios do nosso século e, portanto, não será resolvido de forma individual. Essa questão poderá ser resolvida a partir de uma série de ações que envolvam os variados atores sociais: governo, órgãos públicos, empresas e cidadãos.


Para saber mais sobre como ajudar, conheça e apoie a iniciativa Médicos Pelo Ar Limpo, a primeira rede brasileira de profissionais e entidades da área médica que atua para promover a qualidade do ar e o combate à mudança do clima.


Além da nossa iniciativa, o Instituto de Saúde e Sustentabilidade, organização pioneira no assunto impactos da urbanização na saúde, tem uma vasta produção de conhecimento acerca do tema. Saiba mais sobre o trabalho produzido nesse link.